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Eu hoje acordei sorrindo...
Remexi-me na cama, ajeitei o
travesseiro, e fiquei quieto, tentando
lembrar o por quê...
Aos poucos fui me lembrando do sonho
que eu tivera...
Pedaços esparsos, espalhados,
de imagens
povoavam em minha mente.
Com esforço fui regredindo, juntando
o quebra-cabeças e consegui formar
a história que se passou...
Estava na beira de um cais,
onde barcos atracavam...
Pescadores descarregavam os
balaios cheios de peixes,
outros recolhiam redes,
as vozes se confundiam.
Eu esperava... o quê, ou quem?
Não sabia...
Apenas esperava...
Minha mente estava voltada para
esta ansiedade da espera...
E permaneci ali, por horas, até a
chegada do último barco, quando o
sol
já estava se pondo.
Os pescadores recolheram seus
balaios, as redes já enroladas e
todos
foram se retirando.
No fim, me vi sozinho...
Não queria ir embora, já que eu
sabia, em meu íntimo, que ali devia
ficar.
Foi quando ao longe divisei uma
pequena embarcação.
Vinha serena, na medida do possível,
balançando apenas ao sabor da marola
que se fazia presente.
Algumas gaivotas ainda sobrevoavam
o lugar e poucas davam voltas
por sobre a embarcação.
Lentamente ela se
aproximou...
De seu ocupante eu só via a cabeça
coberta por um boné.
O barco bateu seu costado no
ancoradouro
e lentamente parou.
Meu olhar ora estava naquele barco,
ora no horizonte que resplandecia
com os raios solares que tracejavam
por entre as poucas nuvens
existentes.
O marinheiro saltou por sobre o cais
com o cordame, amarrou a embarcação
e virou-se para mim.
- Oi ! Esperou muito tempo ?
Eu, que ainda olhava para o
por do sol, espantei-me com a pergunta. E com a voz !
Foi quando dei por mim e
lembrei que ali estava, esperando
justamente por você !
Minha amada garota que gostava de
velejar ao entardecer.
Olhei para você, boné, camiseta
branca
por fora da bermuda e descalça.
Caminhando em minha direção,
você tirou o boné e soltou os
cabelos
que estavam presos, deixando ver o
louro dos fios brilhando com
reflexos
ainda do sol.
Nas mãos trazia o par de
mocassins que calçou.
Nos abraçamos, nos
beijamos...
Perguntei-lhe como havia sido o
passeio e você me disse que
havia sido maravilhoso.
Caminhamos para fora do cais, em
direção ao nosso carro. E fomos para
o hotel onde estávamos acomodados.
Chegando, sem cerimônia você foi
se despindo e caminhou para o
banheiro.
E me chamou:
-
Vem, amor... Vem também !
Eu não me fiz de rogado. Tirando a
bermuda e os tênis que usava entrei
debaixo do chuveiro com você.
Foi gostoso...
A água caindo e nós nos beijando.
Você me ensaboou e eu fiz o mesmo
com você, acariciando-lhe todo o
corpo, até os pés.
Toquei-lhe intimamente e você
também me tocou.
Ali mesmo fizemos amor, debaixo
da corrente de água tépida, que se
esquentava mais ainda ao
tocar em nossos corpos.
Acabamos de nos banhar, você se
enrolou na toalha e apenas serviu-se
de água e foi para a cama.
Eu, também enrolado,
observava os seus movimentos da porta do banheiro.
Na cama, você jogou a toalha de lado
e deitou-se por inteiro.
Estendeu seus braços em minha
direção.
Ninguém dizia nada... E para
quê ?
Não havia necessidade de exprimir
em palavras o desejo que nossos
olhos e gestos revelavam.
Ali mesmo deixei a toalha cair e fui
em sua direção.
Você sentou-se, pernas
dobradas,
e segurou a minha mão.
Tinha na face um sorriso puro
de felicidade.
Dei a volta e fiquei por trás de
você, massageando-lhe os ombros, os braços,
as costas...
Beijei o seu pescoço, sua nuca e
você
virou a cabeça para trás e segurando
a minha, deu-me um beijo tão
ardente...
Deitei-me ao seu lado e você ficando
de joelhos curvou-se sobre mim e
fez-me carinhos tão maravilhosos
e excitantes que não resisti e
puxei-a para cima de mim.
Tivemos momentos maravilhosos,
de amor e de paixão.
Por fim, já cansados, nos deitamos,
lado a lado, com você se aninhando
em meu corpo.
E assim, dormimos,
sorridentes com a felicidade de que estávamos acometidos.
Foi assim, e justamente por isso,
que eu acordei sorrindo.
Foi bom sonhar estar amando
você...
Pena que foi apenas um sonho...
José Maciel
13-11-2002
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