A madrugada, silenciosa, envolve-me com seu aroma.
Embala meus pensamentos com cuidado
Convidando-me a mergulhar em seu espaço sem fronteira
Permito-me ir, e em meus devaneios reconheço o sintoma
O coração, mesmo feliz, encontra-se agitado
Estabanado, como se tudo fosse alegre brincadeira
 
 
Aqui, ao lado, livros, alguns folhetos ...
Dão ao cenário um toque de seriedade
Enquanto a alegria se mistura na saudade
Como se num retrato branco e preto
Onde o tempo exerceu sua influência
Eternizando assim, neste momento, experiência
 
 
Meu pensamento, farto de entendimento
Entrega-se aos cuidados de cada emoção
Buscando, por segundos, se afastar da realidade
A vida é bem mais que sentimento
Mais que compromisso e razão
É um pulsar solene rumo à eternidade.
 
 
Desligo o micro, recolho os papéis
Minha mesa aceita a pouca ordem que estabeleço
Dirijo-me até a janela, aspiro o aroma da madrugada
Observo a escuridão, as estrelas brilhando, fiéis
Aguardando a chegada do dia, como olhos que brilham travessos
Como sonhos, à espera da oportunidade para se revelar
 
 
E nesse silencio sugestivo, me lembro de você
Sua imagem sai de minha memória e ganha vida
Enriquecida pelo perfil que aos poucos construí
Meu escritório de repente se ilumina
Não posso deixar de sorrir ao intuir sua presença querida
Então, só então, me afasto... E vou dormir.
 
 
Priscila de Loureiro Coelho
(Cill)
 
 
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