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Deixa-me chorar, cantar o desencanto...
lamentar com este meu pranto,
essa desilusão...

Um amor tão decantado, em versos, rimas e prosa,
ornado com tantas cores, um verdadeiro arco-íris...
que tal e qual uma flor, de repente se murchou,
e com pétalas sem vida, de seu galho se quedou...

Reguei o amor, com tanto amor,
carinhos eu dei demais...
Não ter a  minha presença,
embora justificada, por tão distante causou,
tanta saudade, tanta...
tanta pressão tão sentida,
tão reclamada, com razão...

Mas cada vez que falavas,
machucava, apertava,
também o meu coração...

Consciente eu sou, das palavras que feriram,
quando pedi que parasse, ao menos diminuísse,
a cobrança da presença, impossível de momento,
pois tal fato me causava, um enorme sofrimento.

Seu modo modificou, sua voz já não sorria,
sei que você sofria, tinha enorme agonia,
assim como eu também...


Então um dia achei que, o melhor para você,
seria eu me afastar, dar um tempo, quem sabe,
para essa mágoa acabar.

Fiz-te um poema, um versinho,
falando da esperança, de que o tempo ajudasse,
que houvesse esquecimento e sua mágoa acabasse...
Emocionado eu o li, para você escutar,
e a resposta obtida, de forma tão objetiva,
era quê, talvez...
quem sabe...nunca mais....!

Doeu, dói, doerá...
que de repente eu visse,
e na carne eu sentisse,
que aquele amor tão profundo,
tão saudoso, ardoroso,
brilhante, tal um diamante,
se transformasse num instante,
sem mostrar nenhum desvelo,
num frio iceberg...
Imensa pedra de gelo...

Doeu...
Está doendo...!

 

José Maciel

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