De repente, você pulou na minha frente, com um olhar de malícia.

Eu, então, comecei a relembrar nosso encontro anterior, mas procurei me fazer de inocente, não demonstrando que havia notado aquilo que eu julgava ser suas verdadeiras intenções.

É que você  havia dito por telefone em tom ameaçador que no nosso próximo encontro, iria judiar de mim.

Confesso que fiquei apreensivo, imaginando o que me estaria reservado. De que forma você cumpriria o prometido?

Quais seriam as judiações que você reservara para mim?

E por mais que tentasse, eu não fazia nem idéia...

Até que li a poesia que você escreveu e me mandou, na qual você  descrevia uma noite de amor, em todos os seus detalhes, onde eu   pude descobrir até onde ia a sua voracidade de amante, de mulher ferina, sequiosa de prazer.

E durante esse tempo, eu me resguardei, me preparei física e mentalmente, aguardando ansioso pelo momento que poderia ser inesquecível.

Foi quando você, de repente, surgiu à minha frente com aquele olhar malicioso.

- Oi, tudo bem ? perguntei de forma ingênua.

Ela então lembrou : - Eu não prometi que ia judiar de você?

- Sim - respondi eu...

- Lembra - disse-me ela ( e aí seu olhar já se modificara) que no dia que descobri o teu flerte com aquela outra, que aquilo não ficaria assim?

Nessa altura eu já estava meio confuso...

- Lembro, sim, mas, faz tanto tempo...

- E lembra que eu disse que judiaria de você ?

- Sim, mas... - minha voz já saia fraquinha...

- E você leu a poesia que te mandei...?

Ai fiquei um pouco mais sossegado. Afinal havíamos marcado esse novo encontro já há algum tempo, e eu esperava ver em ação tudo aquilo que ela descrevera na sua poesia. Mais animado, respondi:

 - Sim, eu li e gostei do que li...

Ela assumiu uma pose mais altiva, e descarregou de uma vez:

- Tudo aquilo que eu descrevi, eu desfrutei com o teu melhor amigo, o João.

E mais nada tenho a falar. Tchau...!

Virando-me as costas, foi embora célere.  Tão rápida que não me deu tempo de esboçar nenhuma reação.

E ali fiquei, eu, cara de paspalho, judiado em todos os sentidos.

Na mão...  literalmente !

José Maciel

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