Sou viúva, por três vezes, tenho uma pequena  fazendinha no interior de Minas, algumas plantações,  uma criação de bovinos, ovinos e suínos.
E uma pequena indústria de queijo e pão de queijo.
Aqui estou eu, sozinha, esperando a chegada de meu novo marido.
Nós nos conhecemos na cidade de Belo Horizonte, ficamos alguns dias juntos num hotel e resolvemos nos casar no civil.
Passamos mais uns dias juntos e eu voltei, enquanto 
que  ele ficou resolvendo a venda da sua casa para vir
morar em definitivo aqui.
 
Minha casinha é confortável, herança do meu primeiro marido que foi se meter a peão, montou num potro  que nunca tinha sido arreado e acabou voando por cima da cerca.


Meu segundo marido quis apostar corrida com o
nosso bode Serafim, mexeu com ele e saiu correndo com o bicho atrás.
Ele venceu, mas o coração não agüentou.
 
O terceiro acordou uma noite pela madrugada,
suando em bicas, e sem me falar nada, tirou a roupa
e foi dar um mergulho na piscina.
O pior é que eu havia mandado esvaziar a piscina no dia
anterior pra fazer uns consertos.
E ele não sabia, nem viu !
Ou se viu, não deu tempo de voltar no mergulho.

Agora, aqui estou eu,  arrumadinha, sentada na varanda,
olhando a porteira, e esperando o Zeca chegar.
Estou louca para ele conhecer nossa casa,
nossos animais...
Sei que a gente vai ser muito feliz.
Desta vez vai dar certo...!
 
Como hoje é domingo, dei folga para todos os empregados.
Quero ficar à vontade com meu Zeca,
que é um homem muito amoroso, carinhoso,
com umas mãos tão macias...
 
Já tomei uns dois copos de maracujá, e guardei uma
jarra de limonada para ele. Dizem que o limão afina o sangue e por isso é afrodisíaco, e eu quero matar a saudade do meu queridinho de forma total.
Se eu tomei o maracujá, foi pra não ficar muito agitada,
muito acelerada e não assustar o meu Zeca.
 
Ai, meu Deus !
Parece que é ele que tá chegando !
Sim, é ele sim...
 
 - Ôoooooooiiiiiiiiiii.....Zeca !
 
 - "Olha, amor, abre a porteira, puxando esse arame.  Não, esse não, é o que tá do lado direito...

 - Entra e fecha a porteira por causa dos bichos...

 - Morzinho, fofinho, anda mais devagar por causa dos gansos, senão eles correm atrás de você...
 
 - Isso... Não liga prô Serafim...É esse bode ai do lado... Não, amor,
não bota a mão na cabeça dele !
 
 - Ai, amor... ! Corre prá esse cajueiro que tá do  teu lado esquerdo.
Isso, corre...!!! Sobe nele... rápido...!!! Ah, graças a Deus...

 - Agora esp... não meu amor ! Não mexe nessa bola que é uma
casa de marimbondos ! Nem nessa outra, amor !!!  É uma colmeia ! 
Oh, meu Deus ! Esses homens da cidade não sabem de nada...
 
 - Amor, espera um pouquinho que eu vou mandar  o Juca te apanhar...
 - Não, não é nenhum empregado não... É o meu burrinho ensinado... Ele já está acostumado a ir pegar alguns visitantes ai na árvore...
 
 - Vai, Juca, tchu...tchu...tchu..., vai pegar o moço, vai...
Espera, querido... Espera ele chegar ai, não desce agora, senão o Serafim bota o Juca prá correr...
 
 - Vem, Zeca... desce agora, direto no lombo do Juca...
 Isso, assim, devagar... segura na crina que ele não gosta de arreio.
Agora é só fazer com a boca o tchu...tchu... tchu... que ele te traz...
Isso, vem...
 
    - NÃO, Zeca !
    - Não bate na barriga que ele não gosta !!!
     -  Ah, meu Deus...

      O Juca disparou....
      Segura, Zeca !
   - Pára, Juca, pára  !!!
    - Ai, minha Nossa !

Jogou o Zeca dentro do poço !!!

- Deixa eu ir lá...
- Nossa... !
- Zeca atolou na lama... de cabeça pra baixo...

- Fiquei viúva, de novo !
- Oh, vida, sem explicação !"
 

 

José Maciel
15-04-2002

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