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Tu pensô qui
eu tinha isquecido d'ocê ?
Isquici-me não
!
Os pessoar da
cidade, inscreve coisas bunita
prás muié
deles...
Inda mais
ingora qui tão festejando
o Dia dos
Namorado !
Ia purisso é
qui eu cismei de inscrevê
essa cartinha
pr'ocê !
Florzinha...
Você é a moça
mais bonita da nossa cidade.
I eu vejo quando
ocê caminha dos lado das cabrita
na hora de
levá elas prá pastá.
Fico dimirando
ocê caminhá, cum aquela saia rendada,
meio rasgada,
mas bunita que só vendo...
Descarça, pés
no chão, tu nem liga prus olhos dos home
que ficam ti dimirano.
Eu sei qui eles
sabe qui tu é minha namorada.
E só ficam nu
oiá...
Ai deles se
dissé uma palavrinha só...
Eu amarro eles no rabo daquele cavalo chucro e
boto o bicho prá correr.
Mas, minha
Florzinha !
Eu quero é
dizer qui hoje, Dia dos Namorado
é um dia
especiar, e eu quero
ti levá umas
flor que eu apanhei lá nu campo.
Essas flor
podem um dia murchar, mas
no momento elas
vão representá todo o
amô qui eu
tenho pra dá pr'ocê,
minha Florzinha.
Pra essa minha
menina dos óios da cor da jabuticaba.
Minina que tem
umas sardinha no rosto, que inté parecem
umas amora...
Umas pernoca
grossinha, bem redondinha,
do jeito que
eu gosto.
E eu indimiro tamém,
os teu busto.
Qui num tem
daquele negócio, o tar de "simicome", sei lá o
nome
que as muié da
cidade usa prá ficá mais grandão...
Apruquê os seu são
grande que nem as teta da vaquinha Mimosa.
Ai, Florzinha...
num vejo a hora
da gente si casá...
De eu nu dia
do casamento, saí curreno intrás de ocê,
inté nosso
barraquinho...
E fazê uma
festança até di manhãzinha...
Só nos dois...
iêta ferro !
Apurisso, minha
Florzinha...
eu ti mando
umas bejoca bem istaladas,
pelo
Dia dos
Namorado !
Beijos do teu
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