Era noite bem escura...
A lua estava meio que escondida por entre as árvores daquela alameda, que só permitia a passagem de uns poucos raios de luz.
Único caminho por onde eu poderia passar para chegar
à casa de Marleide que me havia dado
um convite para participar de uma festa de Halloween.
 
Marleide, eu conheci num bar da zona norte do Rio, quando tomava meu refrigerante diet numa
reunião de amigos que gostavam de uma geladinha.
 
Ela chegou, assim de repente, de forma misteriosa, cumprimentou a todos e perguntou se
também podia se juntar a nós, já que estava sozinha.
Os rapazes, assim como eu, sorriram e disseram que sim, sob os olhares críticos das meninas que estavam
com a gente.
Ela se apresentou, disse que morava ali perto e como não tinha ninguém, no momento,  resolveu dar umas voltas para fazer novos conhecimentos.
E ficou papeando com as outras garotas. Que começaram a aceitá-la melhor, visto que pareciam se divertir com o que ela falava.
 
Como se sentou de frente para mim, pude observá-la melhor. Seus cabelos eram pretos e meio crespos,
com umas trancinhas finas caindo sobre seu rosto. Que tinha as maçãs rosadas, pele lisa
sem nenhuma marca aparente.
 
E seus olhos ? Ah, seus olhos... bem
realçados pela pintura deixavam sobressair
suas pupilas, negras como as asas da graúna (como disse uma vez um poeta).
 
De vez em quando ela me flagrava olhando-a fixamente.
E quando eu me dava conta, saia do meu estado
hipnótico e desviava, sem jeito, o meu olhar.
 
Ela me lançava um sorriso. E os colegas me olhavam e me cutucavam por baixo da mesa.
Tentavam me animar, já que era do conhecimento de todos a minha crônica timidez.
 
Já madrugada, todos se despedindo, Marleide me passou um "torpedo", de forma tão acintosa que
todos os presentes perceberam.
 
Já em casa, meio sonado, li o papel, onde estava seu nome e seu telefone e escrito: Me liga !
Joguei o papel na cômoda e me atirei na cama
do jeito que estava.
Alguns dias se passaram.
Eu até já havia esquecido daquela garota que me impressionara, quando, certa tarde meu telefone tocou.
Era ela ! Marleide !
 
Quis saber porque eu não ligara... Dei-lhe uma desculpa qualquer e foi então que ela fez o convite.
Uns amigos iam se reunir numa casa que ficava num subúrbio afastado, uma espécie de sítio dos tios
de uma colega de trabalho.
 
A Festa seria no Dia das Bruxas.
E tanto insistiu que eu anotei o endereço, as indicações de como chegar no local, o dia certo e a hora em que deveria chegar lá.
Marleide fez-me prometer que eu iria, pois minha presença era muito importante para ela.
 
 
Agora, aqui estou eu...
Caminhando por entre essas árvores com cuidado, pois o estreito caminho é de barro e bem irregular.
Depois de caminhar por uns dez minutos, comecei a
ouvir música, vozes e vi ao longe alguns pontos de luz.
 
Me aproximando eu vi que era luz de várias velas que estavam acesas ao  redor do que parecia ser
o jardim da casa.
Mais perto ainda, me espantei com o aspecto da casa. Estava coberta com  vários galhos ressecados, alguns com pequenas folhas secas, outros desnudos.
Receoso com o impacto do ambiente, eu parei.
Tive medo, de verdade...
 
Minha vontade era voltar, não ficar ali, naquele lugar...
Foi quando ela apareceu na porta.
Estava vestida à caráter: uma roupa preta,
comprida, amarrada com o que parecia ser
uma corrente na cintura.
Na cabeça, um enfeite com rosas bem vermelhas.
E foi me buscar, dando-me um beijo no rosto.
 
Quando entramos, mais espantado fiquei.
A decoração dos cômodos fugia da minha imaginação.
Móveis antigos, empoeirados, cortinas rasgadas, teias de aranha pendiam por quase todos os cantos.
Fiquei estático, paralisado...
Ela riu e explicou que aquilo era obra de uns amigos
que trabalhavam no departamento
de arte de uma emissora de televisão.
 
Mais aliviado aceitei ser levado por ela e fui sendo apresentado aos presentes.
Cada figura estranha. Estavam bem maquiados - pensei comigo mesmo.
Marleide parecia a Rainha da Festa.
 
Por onde passava era reverenciada por todos.
A música era própria do ambiente. Uma mesa estava bem posta num canto da sala.
As iguarias pareciam saborosas e tinham formatos
bem estranhos.
"É, esse pessoal de televisão sabe trabalhar" - pensei de novo.
Mudaram o repertório de músicas e todos começaram a dançar. Marleide me puxou e fomos
para o meio da sala. Dançamos bastante. Comi alguma coisa que tinha melhor aspecto e tomei uma bebida especialmente preparada para o dia.
Era vermelha da cor de sangue. Mas, saborosa.
Tanto que repeti.
]
Um grande relógio de pêndulo começou a bater.
 
Automaticamente, como muita gente faz, comecei a contar mentalmente o número de badaladas.
 
Doze ! Doze badaladas ! Meia noite !
 
Desligaram o som... E fizeram silencio...
Todos os olhares convergiram para onde estava Marleide.
Ela olhou para todos e, soltando uma gargalhada,
rodou a mais não poder no meio da sala.
Quando parou o fez diante de mim, que estava
espantado com a cena.
Ela então me tomou nos braços e foi me arrastando
para o interior de outro cômodo, sob os olhares e sorrisos estranhos de todos.
Quando entramos, vi que era um quarto.
Ela fechou a porta atrás de nós.
E na sala fez-se um silencio total.
Lançando um olhar sedutor, Marleide começou a me despir. Arrancou minha camisa, quase que rasgando, desabotoou meu cinto e arriou
as minhas calças, pisando-as e me puxando para que saíssem por completo.
Alisou meu corpo, deu uma pequena mordida em
meu peito e foi me empurrando
para a cama, onde me jogou.
Como num passe de mágica, ficou completamente
nua e se lançou por sobre mim, me enlaçando
com suas pernas lindas e vigorosas.
Jogou meus braços para trás e amarrou meus pulsos
na cabeceira da cama.
Acabou de me despir e massageou todo o meu corpo.
Debruçando-se sobre mim, me beijou de uma forma como nunca havia sido beijado.
Lambeu-me todinho, sugou-me de forma suave e excitante.
Quando sentiu que eu já estava mais relaxado e bem excitado, fez-me penetrar em seu sexo.
 
De forma bem ondulante, remexendo seu corpo de forma bem sensual, fez amor em mim e pra mim.
 
Ela sabia como me deixar em forma...
Assim foram nossos momentos, por horas a fio.
Até que adormeci...
Não sei por quanto tempo.
Quando acordei, ainda estava nu e amarrado na cama.
Os raios de sol já penetravam por entre frestas
das janelas.
Chamei-a... Várias vezes eu a chamei...
Como não atendeu, passei a gritar para que alguém
mais me ouvisse.
 
Ninguém !
Lá pelas tantas ouvi alguns ruídos do lado de fora.
E comecei a gritar por socorro !
 
Passados alguns instantes, um  senhor bem humilde entrou no quarto, e olhando pra mim, sorriu.
Sem uma palavra, me desamarrou e foi para fora do quarto.
Já vestido eu sai e vi o velhinho do lado de fora da casa.
 
Não havia mais ninguém, nenhum vestígio da festa,
nem mesmo a mesa com as iguarias ali estava.
Não havia nada para comer.
E eu estava faminto.
Quando sai, perguntei ao velho se não tinha visto ninguém.
Ele disse que não. Mas já estava acostumado com o
meu espanto.
Contou-me que há alguns anos, sempre nesta mesma
data ele aparece ali e encontra alguém como me encontrou.
Revela que naquela casa abandonada aconteceram
fatos horripilantes, contados por seu avô.
E sem dizer mais nada foi embora.
O que eu também fiz de imediato.
 
Agora, desde o dia que voltei, vou ao bar e ando pelas redondezas, constantemente,
na esperança de encontrar Marleide.
 
Aquele bruxinha que me proporcionou uma transa legal.
Que eu desejava repetir, sem medir consequências.
Mas, eu não a encontro.
Nem pelo telefone, pois o número que ela me deu,
não existe.
 
E ela ? Será que era de verdade ?
 
Será que era verdadeira a
Minha Bruxinha ?
 
 
 
José Maciel
28-10-2002
 

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