Ao silêncio amigo da madrugada me entrego,
Quando todos se calam, descansam e dormem...
Vou dedilhando ao piano toda minha angústia.
Esse amor louco, a vontade desse homem...
 
 
Já não é amor, é doença, pura demência.
Na madrugada deixo que as lágrimas
Banhem meu rosto e o grito de amor
Engulo seco, peito aberto em chagas...
 
 
Ah... covardia idiota, até quando serei cativa?
Pedaço de mim, fantoche do destino, escrava...
Até quando suportarei do vulcão, a labareda?
Seguir sendo nada, minha própria madrasta...
 
 
Ele é meu dia, minha noite, minha alma,
É senhor do meu corpo, do meu sangue.
Meu segredo mais lindo, cruel, assassino...
Que nega o calor, a felicidade desse instante.
 
 
No silêncio da madrugada, fantasio seu toque,
Sorvo em seus lábios o champanhe mais fino.
Rasgo a partitura maldita, me atiro na cama,
E no sonho o tenho entre os lençóis de linho...
 
 
Marilena Trujillo
**Mari**
 
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