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Com o meu amor eu
fiz, sem roteiro premeditado, sem ter nada
combinado, um passeio inesquecível.
Pegamos umas poucas
peças de roupa para mudar, uns biscoitos
variados, isopor com água gelada,
e saímos pela
estrada, sem ter um destino certo.
Percorremos por
quilômetros,
estradas e avenidas,
até que resolvemos ir para a região serrana.
Nossa primeira
parada, foi no mirante da serra, de onde admiramos o
panorama, a natureza sem fim, o verde das matas, e
as nuvens que encobriam
o topo das
montanhas.
Tiramos fotos, como
todo bom turista, para guardar de lembrança.
Meu amor subiu na
murada, fazendo gestos e poses; parecia uma
criança.
Rindo voltamos ao
carro e seguimos nosso caminho, não sem antes trocarmos beijinhos.
A subida nos deixava
com os ouvidos tampados. E tínhamos que mastigar uma bala para aliviar a
pressão.
Íamos bem devagar,
meu carrinho antigo, capengava,
enquanto os outros
voavam.
E eu gritava : Podem
ir, amigos...
Eu também vou chegar
lá...!
Os primeiros
povoados começaram a surgir. Engraçado que as pessoas
que nós víamos
pareciam ser
de outro mundo.
Embora no mesmo
estado, falando a mesma língua, os gestos e as faces
diferem das que vivem em nosso bairro.
Um, dois, três, não
sei quantos mais nós passamos.
Foi quando vimos um
aviso, falando de uma pousada. E na seta indicativa
nos entramos. Era de terra a
estrada que nos levava ao lugar.
Na porteira
da casa
grande, no alto de uma colina, uma tabuleta dava as
boas-vindas aos
visitantes.
Fomos recepcionados
por um cara bem legal, que descreveu tudo o
que o lugar nos reservava.
Alugamos um chalé,
onde nos acomodamos, e logo após o banho,
que se fazia necessário, fomos para o restaurante e almoçamos.
De volta ao quarto,
nos dormimos por um tempo. Afinal havíamos acordado muito cedo.
Já de
noite saímos do
chalé e fomos fazer um lanche. Foi quando vimos as mesas postas no
quintal.
Outros hóspedes já
estavam acomodados e também nós nos sentamos.
Era noite de
seresta. Ali ficamos
ouvindo e também
cantando com o conjunto regional.
Bem tarde nos
recolhemos,
fizemos amor, com
vontade,
que no dia seguinte,
cansados,
nós nos levantamos tarde.
De qualquer forma, ainda havia o
café da manhã para nós, com uma mesa bem posta, com mingau de fubá,
polvilhado com canela, leite fresco, queijo de várias qualidades e
aquela broazinha de milho com erva doce.
Depois fomos
fazer reconhecimento do local. Subimos por uma trilha,
seguindo as placas e
chegamos à cachoeira, onde tomamos um banho gelado e revigorante, por
trazer em sua essência a força da natureza.
Mais abaixo, meio
que escondido,
um lago maravilhoso,
onde
alguns patos
nadavam.
De volta a sede do
rancho, com ajuda de um peão, passeamos de charrete e vimos, admirados,
naquele lugar bem tratado, o pomar, a criação...
Nova noite de
seresta, alguns "causos" contados com graça pelo pessoal do lugar, um sereno refrescante, uma bebida gelada...
Ah, que vida...
Assim foram nossos
dias: de dia,
aulas de equitação,
com alguns pequenos tombos,
passeios nas matas,
em grupos e
à noitinha o laser.
E no quarto, só nós
dois,
horas de muito
prazer.
Ficamos uma semana,
naquela pousada da
serra,
que podemos afirmar,
com grande
convicção,
que ali nós
encontramos
um paraíso na terra.
José Maciel
06-11-2002
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