Hoje estava lembrando,
com saudades de um encontro,
há muito tempo ocorrido,
com alguém que passou
em minha vida.
 
Sentados na areia da praia,
falávamos de nossas vidas,
das coisas acontecidas,
de mágoas, desilusões.
 
Da esperança que tínhamos,
do nosso futuro, enfim,
pois o que havíamos passado,
ainda deixava mágoas.
 
Eu já a conhecia, há tempos,
uma amizade sincera,
sem nunca termos tocado
numa provável união.
 
As horas iam passando,
o vento nos embalava
o som das ondas batendo
e pela areia correndo.
 
E eu a olhava,
as vezes acariciava
suas costas,
seu pescoço.
 
Olhava seus olhos brilhantes,
que fitavam os meus.
Foi quando num gesto inesperado,
ela tocou minha mão,
com tanta suavidade,
que despertou em mim uma ansiedade.
 
Aquele desejo escondido,
tantas vezes reprimido
aflorou dentro de mim.
 
Afinal, éramos amigos há tempos,
que eu respeitosamente evitava
falar-lhe de meu amor.
 
E foi então, que beijei o dorso de sua mão.
Foi um beijo puro, delicado.
Levantei minha cabeça
e olhei-a mais uma vez.
 
O sorriso natural que estava em seu rosto,
parecia revelar que havia gostado.
E nossas cabeças se juntaram,
num beijo tão ameno, tão sereno,
tão verdadeiro.
 
Nos abraçamos, e eu ousei
puxá-la  para mais perto,
e beijá-la outra vez.
Foi um beijo mais prolongado,
com um abraço gostoso,
que me deixou perplexado.
 
Sim, espantado !
Pois há muito que não tinha
um beijo tão prazeroso.
 
Um beijo suave, macio,
sem malícia aparente,
apenas um beijo.
 
Daqueles que ficam marcados,
que deixa seres enlevados;
não fora um beijo normal.
 
Seus lábios, ah, como lembro,
em minha boca o sabor.
E os olhos...o sorriso,
o toque de suas mãos...
 
 
Já disse que há muito tempo
eu esperava o momento
de poder me declarar.
E aquele beijo,
mesmo que por um instante,
teve efeito penetrante,
despertou minha emoção.
 
Mas ela, delicadamente,
lançou-me um olhar duvidoso,
e se afastou de meu corpo,
sem dizer uma palavra.
 
Da mesma forma, em silencio,
nós nos levantamos,
nos despedimos,
e ela se foi
deixando marcas na areia.
 
Eu fiquei ali parado,
vendo o seu caminhar,
até sumir na distância.
 
Joguei-me ao chão, de joelhos,
e com o olhar no horizonte,
relembrei aquele instante,
que nunca se repetiu.
E desde aquele dia,
para mim maravilhoso,
eu aqui venho recordar,
 
Sento no mesmo lugar,
evoco as minhas lembranças
e suspiro embevecido...
 
"Ah, aquele beijo...
Que beijo !!!
Nunca será esquecido."
 
 
 
José Maciel
02-07-2002
 
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