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Todo fim de semana, como lazer, eu pegava minha bicicleta e saia para dar uma volta no bairro.

Um dia, como sempre, eu fazia minha "pedalada" e quando passava por uma rua próxima ao centro do bairro, deparei à minha frente com uma garota espetacular.

Caminhava depressa, na certa exercitando-se, como algumas outras pessoas que por ali passavam, trajando roupas esportivas...

Ela tinha uma pele bronzeada que brilhava pelas gotículas de suor que lhe escorriam pelo rosto.

 A blusa era branca e transparente, curtinha e estava vestindo um shortinho  verde que, de tão apertadinho onde devia, era capaz de fazer  arrepiar o mais caído dos mortos; seus cabelos, soltos ao vento, as vezes iam para trás, outras vezes balançavam à frente do seu rosto, dando-lhe um ar de mistério e sensualidade.

Para completar o conjunto, na cintura um walkman e nos ouvidos os devidos fones que deviam estar irradiando alguma melodia com ritmo frenético, o que fazia com que seu corpo parecesse dançar.

Olhem, o seu jeito, sua roupa, seu modo de andar, tudo isso encaixou-se em minha mente numa fração de segundos.

É incrível como alguém, a quem nunca vimos antes, nos provoque tantas emoções num mesmo instante.

Passei por ela, dando-lhe uma rápida olhada. Fui mais à frente. Parei. Apanhei o cantil, tomei um pouco de água, peguei minha toalha e educadamente enxuguei minha boca e depois o meu rosto.

Sorrindo, olhei para ela... que passou sem olhar para mim.

Meu sorriso se apagou de meus lábios, mas não desanimei. Montei de novo em minha bicicleta e dei umas pedaladas para alcançá-la.

Quando passei pela gata, parei de pedalar, freiei um pouco e olhei para ela, já preparando a costumeira frase: " Puxa, se verde já está assim, imagine quando amadurecer..."

Não deu tempo nem de abrir a boca.

De repente um buraco surgiu, não sei de onde; guinei, e freiei com força, mas não adiantou muito.

A roda da frente caiu e ficou presa na vala aberta por uma dessas concessionárias, que depois esquecem de fechar... A bicicleta rodopiou no ar, comigo ainda sentado e a roda traseira bateu com força do outro lado do buraco. Caí, sai rolando no chão e fiquei estatelado no asfalto.

Sentei e olhei para o guidão fora do lugar, roda traseira com aro empenado, traseiro dolorido, pernas e braços um pouco esfolados, amor próprio arrasado...

Esse foi o resultado de uma paquera, que de nada adiantou.

Quando caí, ela que vinha na minha direção, simplesmente deu-me uma olhada piedosa, mudou o rumo e continuou sua caminhada.

Moral da história:

"Não caia de amores por uma garota na rua, que seu tombo pode ser dolorido"

   

José Maciel

04-11-1998

Corrigida e editada em 14-01-2202.

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