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Relembro,
quando saudoso,
a
forma como vi pela primeira vez
aquela
que mexeu comigo,
com
todos os meus sentidos.
Era
uma tarde de outono,
as
árvores choravam suas folhas,
que
se espalhavam ao chão,
no
ritmo imposto pela brisa,
que
suavemente corria.
O
sol morno dava o tom
de
cores
no
céu encoberto,
por
nuvens esparsas
que
formavam
as
imagens mais diversas .
Ali
estava eu, divagando,
na
minha vida pensando,
pesando
os prós e os contras.
Dos
amores já vividos,
nesses
anos decorridos,
de
uma vida bem feliz.
No
momento estava só,
sonhando,
como sempre faço,
imaginando,
desejando,
ser
novamente amado.
Para
que pudesse expelir,
lá
de dentro do meu peito,
tudo
que sinto em amor,
todo
o carinho que tenho.
Largado
naquele banco,
resolvi
me levantar,
pelo
parque passear,
apreciar
o panorama
que
a natureza oferece.
E
lá fui eu caminhando,
num
passo lento, sem pressa,
uma
música cantarolando,
daquelas
lá da antiga
e
romântica geração.
Isso
me dava leveza,
no
andar e no espírito,
talvez
até refletisse
em
minha face o amor.
Foi
quando nós nos cruzamos,
de
repente nos olhamos,
e
trocamos um sorriso.
Passamos
um pelo outro,
com
um leve meneio de cabeça.
Um
quê, não sei o quê,
fez-me
voltar e olhar para ela.
Foi
com surpresa que eu vi
que ela
fizera o mesmo.
Ficamos,
embora longe,
de
frente um para o outro,
parados,
estáticos.
Não
me lembro, eu confesso,
quem
deu o primeiro passo...
Mas,
meio que encabulados,
após
uma fração de segundos,
fomos
nos aproximando;
vi
o brilho em seu olhar,
os
meus nem sei como estavam...
É
uma cena que, por mais,
que
queira se descrever,
não
existem palavras para
demonstrar
o interior
de
dois seres que se atraem.
Antes
mesmo que ela chegasse,
eu
corri até o canteiro,
e
praticando uma arte,
de
lá tirei uma flor.
Era
uma flor bem singela,
das
que dão o ano inteiro.
E
cheguei perto dela,
com
minha mão estendida,
oferecendo
a flor.
Que
ela de pronto aceitou,
e
num gesto bem feminino,
nos
cabelos colocou.
Era
um "sim" sem palavras,
que
eu ali recebia.
E
se apresentando, ela disse:
-
Olá ! Meu nome é Menina.
-
Que bom, meu nome é Rapaz...
Começou
ali um romance
(que
descrevo mais a frente).
Só
vou lhes
dizer agora,
que
foi um amor diferente.
Por
isso, quando eu saio
nas
ruas, o mundo percebe,
no
meu semblante iluminado,
que
eu sou um homem feliz,
um
"Rapaz" apaixonado.
José
Maciel
22-08-2002
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