Essa noite tive um sonho, e por milagre, não o esqueci,
como acontece com tantos outros.

Eu estava a beira de uma estrada de terra, circundada por grandes eucaliptos, que lançavam suas
sombras sobre o solo.

As árvores exalavam aquele aroma característico das  folhas do eucalipto.
Andando sobre a grama que margeava a estrada eu ia alheio ao que se passava ao meu redor.
Encontrei uma pedra e nela me sentei.
Agachei-me, apanhei um graveto
e fiquei ciscando o chão, empurrando as folhas secas.

Peguei uma delas, amassei-a e senti o olor que ainda estava impregnado naquele ser que aparentemente
estaria morto.

E me propus a olhar para cima, para o alto das copas, por onde resvalavam alguns raios do sol da tarde.

Alguns pássaros piavam ao longe.
Um zumbido de abelha passou perto de meu ouvido, dando-me um susto.
Fixando o olhar na direção que a abelha havia seguido, vi um pequeno enxame que revoava em torno do que, de longe, parecia ser uma colméia.

Por trás das árvores, à minha frente, havia um campo de pasto verdejante.
Umas poucas cabeças de gado passeavam e se alimentavam.

Mais ao longe, subindo em carreira por um pequeno outeiro, dois cavalos, que corriam livremente.

Preguiçosamente me levantei a tornei a andar.

Mais adiante, um pequeno atalho
adentrava-se por entre as árvores, e foi por ali que segui...
Saindo daquele corredor de árvores, vi-me diante de um cercado, com uma porteira entreaberta...

Um pequeno sino estava pendurado num dos moirões
que sustentavam a cerca.
Não resisti, ao passar pelo sino, toquei-o com a mão e ele me respondeu com um repicar claro de metal,
mas um som que parecia ter sido moldado para
aquele bucólico ambiente. 

Um misto de estridente e melancólico.
Continuei a caminhar e a paisagem já mudara.

Um jardim florido estava mais à frente,
mas para chegar a ele, teria que atravessar uma ponte
por cima de um córrego de águas límpidas que
corriam mansamente, fazendo balançar
os pequenos ramos que haviam em sua margem. 

Parei um pouco, apoiando-me no corrimão da
pequena pinguela e fiquei observando os peixinhos
que nadavam aos bandos.
Primeiro devagar e depois, como que assustados,
saiam velozmente, espalhando-se, para mais
adiante se agruparem de novo.

Voltei a mim, fui em direção da pequena casa
rodeada de uns bem tratados canteiros floridos,
e quanto mais eu me aproximava, mais ansioso
ficava em chegar.

Foi quando você surgiu...
 
Num vestido estampado de flores, os cabelos soltos, aquela figura de mulher apareceu na soleira da porta,
cujos portais eram pintados de um tom pastel...

Você ficou ali,  parada, com um sorriso quase infantil...
Parecia um quadro,  tão bela você estava...

Fui até você e você também veio ao meu encontro.
Nos abraçamos e trocamos um beijo carinhoso.
Olhamos um para o outro, nos fitamos olho no olho
e mais uma vez nos beijamos...

E sem uma palavra entramos na casa...

Aí, algo estranho aconteceu, meu campo visual já
não só lhe via, mas a nós dois...

Como que se meu espírito se afastasse e ficasse
mirando aquele casal (eu e você).
E a porta se fechou...

Eu (meu espírito, talvez), foi aos poucos se
afastando, como que flutuando,  para o alto;
a paisagem foi se tornando cada vez menor,
até ser coberta por nuvens.

E eu acordei...

Sorrindo, feliz, com a lembrança de que
 
Sonhei com Você ! 
 
 
José Maciel

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