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Um dia, não sei porquê, tive vontade de sair pela
cidade.
Um domingo, ruas quase desertas, poucos carros
transitando... Várias pessoas passeando, e em algumas ruas, crianças
brincando...
Há muito não fazia isso, pegar o carro e sair, sem destino, sem ter
nenhum compromisso...
Apenas para preencher o tempo, pois em casa sozinho... como custava a
passar.
E lá fui eu...Dirigindo devagar, olhando para os lados, muito cheio de
cuidados,
mas, vendo a vida, gente, o mundo, enfim.
Cheguei a beira da praia... estacionei, saltei. E descalço, comecei a
andar pela calçada.
O movimento era grande, gente moça, gente idosa, tomando banho de
sol... correndo no calçadão...
E
eu, ali, tão sozinho... no meio da multidão.
Sim, eu me sentia só; embora cercado de tanta gente, era com se ninguém
ali estivesse.
Resultado da minha auto-hibernação...
E tive vontade de conversar com alguém.
Fui até o quiosque, pedi um coco gelado, peguei um canudo e quando ia
falar com o vendedor, esse foi para o outro lado atender a novos
clientes.
Bem, fui sentar-me a uma das mesas que estavam vazias, tomando a água
de coco e olhando o pessoal na areia.
Uns jogavam bola, outros andavam pela areia molhada, crianças brincavam
com seus baldinhos de areia.
Vendedores ambulantes passavam, carregando aqueles isopores pesados, mas
com uma
facilidade e disposição de dar inveja, apregoando seus produtos:
-Olha o natural, sanduíche natural...Mate gelado...
- É um real, olha a geladinha, vai querer freguês...
Outros carregavam umas araras, aqueles aramados, cheio de bugigangas,
desde pregadores de cabelos, bonés, óculos, até cangas coloridas...
Os homens buscavam ostentar suas formas adquiridas na academia, enquanto
que outros tentavam encolher as barriguinhas salientes. Corriam, jogavam
bola, gritavam,como se quisessem chamar a atenção das mulheres.
Ah, como o nosso país é pródigo em mulheres bonitas.
São muitos os tipos, louras, ruivas, morenas, mulatas, negras, uma
miscigenação de raças, pois todos nós descendemos de naturais dos
Continentes Americano, Europeu e Asiático. Da África, principalmente.
Bem, aqueles monumentos de tanguinha, fio dental, deitadas ao sol, se
bronzeando, tornam-se objetos de amor e desejo e alvo de admiração dos
homens em geral.
Mas, praia não é só olhar as pessoas, paquerar as mulheres, tomar
banho de sol e de mar. Praia é vida, é natureza...
Levantando os olhos, mirando por cima da cabeça das pessoas que ali
estavam, passei a admirar as ondas, naquele vai e vem constante,
quebrando na areia, fazendo a alegria dos banhistas.
Mais adiante, as gaivotas bailando no céu, a sabor e contra o vento.
Pássaros mergulhando e voltando com o peixe na ponta do bico.
Mais adiante, a linha do horizonte...
Algumas ilhas se destacando, e alguns barcos e navios lá bem longe...
Levantando a cabeça, comecei a olhar para as nuvens e suas diversas
formações, procurando ver em cada uma, um bicho ou objeto...
E o Sol, que lindo, que beleza irradia ao se por no fim da tarde. Seus
reflexos nas ondas do mar é
indescritível...
Ali estava a VIDA... em forma
de NATUREZA...
Ali estavam as pessoas curtindo-as...
Realmente, ali estava a vida, que eu, por muito tempo deixara de
apreciar, e da qual há muito tempo me afastara.
Ali estava eu, no meio daquele mundo...
Mas, ainda só...
Quem
sabe se quando eu vir aqui, de verdade,
e não apenas na imaginação, VOCÊ não estará comigo...?
Para que eu não seja apenas mais
um solitário no meio da
multidão...
José Maciel

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