Apenas hoje, escuta-me!

Permite que o vento alise-te a fronte,
Como a mão antes ofertada, deixada aberta e vazia,
Como a voz que não calou, mas que não foi ouvida,
Nem em brisas, nem em sombras.

Libera o açoite do trigal, feito loura cabeleira
a roçar-te a memória,
Quando tinhas meu peito no teu,
e meus cabelos de afagos.

Apenas hoje, cala-te!

Deixa que eu ecoe por tua morada,
Que alimente teus dias de calor,
Que minha voz te seja tão vital,
Que jamais me entonarias.

Apenas hoje, olha-me!

Enxerga o teu destino, o teu passado,
O teu agora, que não há tempo para mais tarde.
A vida não aguarda, e não baixa a guarda.

Apenas hoje, ama-me!

Cala, escuta, sente, solta!
Leva esse amor para bem longe,
Para as estranhas, para o magma vitorioso.

Apenas hoje,
deixa eu ser teu gozo.
 
 
Lílian Maial
 
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